Introdução a Novas Tecnologias Digitais na Educação: Estudo de Caso na UniCarioca

Mestrado em Novas Tecnologias Digitais na Educação

Introdução a Novas Tecnologias Digitais na Educação

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Relatório sobre o uso de tecnologias em sala de aula e experiências adquiridas ou desafios enfrentados

 

Introdução

O mundo está mudando em diversos aspectos. A tecnologia está tornando o mundo cada vez menor. Não há mais espaço para o professor como “Detentor do saber” em sala de aula. Até porque, um aluno com um smartphone e acesso à internet pode ter acesso a MUITO MAIS INFORMAÇÃO do que qualquer professor poderia conseguir processar em muitas vidas. Sendo assim, é preciso usar a tecnologia como uma ALIADA, não como ADVERSÁRIA.

Para isso, é preciso explorar novas possibilidades e ferramentas, unido-as ao nosso conteúdo e às nossas estratégias pedagógicas, para que a tecnologia faça SENTIDO, e não seja apenas um “penduricalho” a mais para atrapalhar e desfocar os alunos da sua principal tarefa: aprender a aprender!

Sendo assim, como professores, precisamos estar atentos às possibilidades que se descortinam à nossa frente a cada dia, e com mais velocidade. Nossos alunos são nativos digitais. Se não nos mantivermos atualizados, logo, seremos considerados obsoletos, pois, se a única razão da nossa existência e transmitir conhecimento, então já somos supérfluos em sala de aula!

REFERÊNCIAS:

 

 

O novo professor

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Hoje em dia, o professor assumiu um novo papel: o de orientador!

Não cabe mais ao professor ditar as regras de como o aluno aprende, pois cada ser humano aprende de um jeito único, que é seu. Cabe ao professor ORIENTAR essa trajetória, de forma que o aluno consiga, por seus próprios méritos, exercendo protagonismo em sua educação, atingir os objetivos traçados e avançar em direção ao conhecimento.

Assim sendo, hoje e cada vez mais, o professor precisa estar “antenado” com as novas tecnologias. Saber como utilizar os aparatos tecnológicos para amparar seu programa pedagógico é praticamente obrigatório. É importante saber como lidar com muitas mídias diferentes – áudio, vídeo, texto, imagens – e como tirar proveito de cada uma delas, e a que tempo, em que intensidade e para qual finalidade.

Estar atualizado com o que há de mais moderno é fundamental. Perceber e entender como cada ferramenta ajuda a desenvolver seu planejamento é parte integrante da vida desse novo profissional de ensino. Além disso, a postura “sabe tudo” não cabe mais, sob pena de passar vergonha em sala de aula, graças a uma simples busca no Google. Hoje, mais do que nunca antes, o professor também aprende com o aluno. É uma relação de simbiose, onde ambos são beneficiados. Mesmo assim, com a postura correta, é possível manter a autoridade e o bom andamento do conteúdo, sem precisar ser autoritário, e dessa forma, conquistando a simpatia e a colaboração dos seus alunos.

Recursos Disponíveis:

Hoje, os professores podem contar com inúmeros recursos tecnológicos. Relaciono abaixo alguns poucos exemplos de todo o ARSENAL que o Educador tem, hoje, à sua disposição:

  • Comunidades e Grupos em redes sociais
  • Vídeos
  • Podcasts
  • Blogs
  • Social Bookmarking
  • Compartilhamento de Imagens e fotos digitais
  • Ebooks
  • Redes sociais
  • Aplicativos de mensagens
  • Entre outros

E entre os itens relacionados é justamente sobre os APLICATIVOS DE MENSAGENS que irei falar em meu relatório.

 

O uso do Telegram em sala de aula: Um estudo de caso de Ensino Híbrido com Sala de Aula Invertida nos MBAs de Marketing e Mídias Sociais da UniCarioca

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O que é o Telegram?

O Telegram é um aplicativo de mensagens instantâneas que possui inúmeras funcionalidades, é leve, extremamente seguro e desenvolvido como software livre, o que o configura como uma excelente ferramenta.

Entre as inúmeras possibilidades e funcionalidades do Telegram podemos citar o fato de que ele possui criptografia de alto padrão, a possibilidade de usar a mesma conta em mais de um dispositivo, armazenamento das mensagens e mídias na nuvem, uso de username ao invés de número de telefone (aumento da privacidade), entre outras.

Segue um quadro comparativo deste aplicativo em face do seu principal rival: O Whatsapp

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Não é preciso ser nenhum especialista para verificar a imensa superioridade técnica do Telegram em face do seu concorrente. No que diz respeito à funcionalidades, o Telegram é imensamente superior ao Whatsapp. No entanto, existem dois ÚNICOS quesitos nos quais o Whatsapp é superior ao Telegram:

A maioria das pessoas conheceu o Telegram após os vários bloqueios do Whatsapp pela justiça Brasileira. O número cresceu assustadoramente. Tanto que o serviço caiu por algumas horas. Mesmo assim, a grande maioria das pessoas abandonou o aplicativo tão logo o Whatsapp voltou ao ar. Mesmo assim, algumas pessoas permaneceram utilizando o aplicativo, por perceberem sua superioridade em face do concorrente. Infelizmente, com o tempo, a base remanescente foi diminuindo.

Por ser usuário frequente do Telegram, decidi utilizá-lo para uma experiência em sala de aula, nos MBAs de Marketing e Mídias Sociais da UniCarioca, numa experiência de Ensino Híbrido e Sala de Aula Invertida, que passo a relatar, com seus pormenores e desafios.

 

 

De onde surgiu a ideia de usar o Telegram em sala de aula?

Para melhorar a comunicação entre os alunos de uma turma, geralmente os representantes criavam grupos no Whatsapp para compartilhar informações, enviar avisos e mandar links de materiais, entre outras coisas. Normalmente, como professor, eu pedia para algum aluno responsável pelo grupo para me adicionar no grupo, e com isso, conseguia manter contato direto com eles através deste canal. Porém, isso tinha alguns inconvenientes:

  • Eu era obrigado a dar meu telefone particular para os alunos. E isso chegou a me causar um problema pessoal de assédio por parte de uma aluna, que acabou me obrigando a sair do grupo e conversar seriamente com ela sobre o fato.
  • Como tenho muitos contatos no Whatsapp, além de vários grupos, eu desabilito as notificações do aparelho, e por isso, acabava não recebendo também as mensagens das turmas.
  • Algumas vezes eu queria enviar materiais para os alunos pelo Whatsapp, por ser mais rápido, mas não era possível. Os formatos de arquivo aceitos pelo Whatsapp são extremamente limitados, e com isso, eu era obrigado a usar uma outra ferramenta para enviar alguns materiais adicionais.
  • A versão web do Whatsapp EXIGE que você mantenha o telefone LIGADO, CONECTADO e em constante sincronização com o computador. Isso faz com que a bateria acabe rapidamente. E em algumas situações, isso era um problema bem grande.
  • Alguns alunos não queriam dar seus telefones pessoais para a turma, e isso fazia com que eles ficassem fora do grupo
  • Entre outros problemas…

Diante dessas questões, decidi fazer um teste com o Telegram, em minhas turmas, para verificar como ele seria aceito e como seria a experiência comunicacional que os alunos teriam com o aplicativo.

Desafios enfrentados na implantação do aplicativo Telegram

Os maiores desafios de utilização do aplicativo em sala de aula, em substituição ao Whatsapp foram de ordem COMPORTAMENTAL: os alunos tinham PRECONCEITO contra o aplicativo e davam as desculpas mais estapafúrdias possíveis para não usá-lo.

Normalmente, eu ouvia as seguintes respostas quando avisava que nós usaríamos o Telegram como aplicativo oficial de comunicação da turma:

  • Ninguém usa Telegram
  • Eu não tenho espaço no meu aparelho
  • Eu não sei usar
  • Telegram é feio (…)
  • Pra quê outro aplicativo de mensagens?
  • Entre outras manifestações tão infantis quanto estas…

Como vi que eu teria uma certa resistência, optei por fazer aquilo que me competia fazer como professor: afirmei que o aplicativo fazia parte do programa da disciplina e quem não o utilizasse acabaria tendo impactos negativos em sua nota final. Muito a contragosto, todos instalaram o aplicativo.

Para a surpresa dos alunos, após algum tempo com o Telegram instalado em seu aparelho, o aplicativo começa a “varrer” a lista de contatos do aluno e mostrar todas as pessoas da sua lista que USAM o Telegram. Com isso, era muito comum que os alunos recebessem pouco tempo depois que instalavam o aplicativo, um monte de mensagens de conhecidos dando-lhes boas vindas. Não raro, eles exclamavam: “nossa, professor… Tem um monte de gente que eu conheço aqui. Acho que na verdade, eu era o(a) ÚNICO(a) que não usava!“.

Ou seja: as manifestações contrárias ao uso do aplicativo eram fundamentadas unicamente em preconceito e ignorância a respeito das qualidades e alcance do aplicativo. Nada mais, nada menos.

Após a instalação do aplicativo nos smartphones, eu enviava um link para os alunos convidando-os a participar do grupo da turma, sem que a privacidade de ninguém fosse exposta ou prejudicada. Ao clicar no link, o aluno é encaminhado diretamente para dentro do grupo, passando então a fazer parte do mesmo. Dessa forma, o aluno passa a poder enviar mensagens, links, textos, áudio, vídeo, imagens e até mesmo arquivos de diferentes formatos, como PDFs, planilhas, DOCs, ebooks em epub, entre outros.

Metodologia de trabalho

Utilizei como metodologia de trabalho a “Sala de Aula invertida“, utilizando princípios e elementos da metodologia do “Ensino Híbrido“: os alunos, depois de inseridos no grupo do Telegram, recebiam algumas poucas instruções iniciais que eram o suficiente para que eles pudessem começar a usar o aplicativo plenamente. Após isso, recebiam a primeira tarefa, que era encontrar, cada um, algum conteúdo na internet sobre o tema da nossa aula e postar no grupo, com link, hashtags de indexação, e com um comentário pessoal sobre o tema do link. Com isso, eles já começavam a compreender como seria o formato das nossas aulas daquele momento em diante.

Referências:

Exemplo de aplicação prática:

Vou dar como exemplo uma aula de Comportamento do Consumidor, onde estávamos discutindo sobre o efeito das redes sociais digitais no comportamento social das pessoas no mundo offline. Pedi aos alunos que, DURANTE A AULA, usassem seus smartphones para descobrirem e pesquisarem sobre casos – positivos e negativos – onde a influência das redes sociais foi preponderante para alguma manifestação social, tanto individual quanto coletiva, em qualquer escala. Dei como exemplo positivo o caso de um grupo de pessoas que ajudava moradores de rua, com alimentação, cuidados pessoais e outras ações positivas, assim como dei o exemplo de uma mulher que foi morta no Sul do País, acusada de bruxaria (…).

Dado o tempo que tínhamos disponível, pedi que a turma se separasse em grupos e que o nome dos integrantes fosse publicado no Telegram. Após isso, pedi para que eles se dividissem e que escolhessem, cada grupo, um link que apontasse para um tema que demonstrasse o efeito social real de alguma coisa vista na internet, nas redes sociais.

Em alguns minutos, apareceu o primeiro link no grupo, com um caso de uma consumidora que elogiou uma empresa, que em função da viralização do post na rede social, acabou recebendo tantos clientes e começou a não ser capaz de atender no mesmo dia, tendo que agendar atendimentos. Eles colocaram apenas o link, sem seguir o roteiro da atividade, que consistia em ligar o link ao grupo, através do recurso de respostas, e também esqueceram de comentar o link, detalhando o caso e utilizando as hashtags. Como é possível editar mensagens no Telegram (recurso que não existe no Whatsapp), pedi que eles reeditassem a mensagem e corrigissem o envio, o que foi feito em poucos minutos.

Ao final, tínhamos um total de 4 cases, discutidos tanto no grupo quanto presencialmente, que serviram de base para a aula posterior, junto com mais algumas leituras recomendadas por mim, além de alguns links sobre o tema. Na prática, foram ELES que montaram o roteiro da aula, cuja única participação minha foi dar um tema e uma introdução!

 

Outras experiências com o Telegram e a sala de aula invertida

Além dessa ocasião, pude repetir com outras várias turmas esta estratégia, sempre com considerável aproveitamento, aprovação de praticamente todos os alunos e poucas queixas em relação ao método.

As maiores queixas são sempre oriundas dos alunos mais inflexíveis e acostumados a não realizar as atividades propostas pelos professores, ficando sempre na dependência dos outros alunos, em trabalhos de grupo ou atividades semelhantes. Esta questão me foi confirmada pelos próprios alunos, quando questionei sobre o motivo destes alunos não se sentirem motivados a participar do processo.

Em outro caso, uma aluna questionou o método, dizendo que “estava ali para aprender, e não para fazer o meu trabalho”. Neste caso, expliquei a turma que este método é amplamente utilizado e que é uma metodologia válida, onde o aluno assume de forma inequívoca o protagonismo da sua educação, participando ativamente do processo pedagógico e aprendendo no processo a produzir conhecimento com uma ferramenta que lhe é tão costumeira e familiar. Em casos como esse, não adianta muito explicar ou tentar argumentar. Como eu costumo dizer, em sala de aulas temos dois perfis de pessoas: alunos e clientes. Alunos estão ali para buscar conhecimento. Clientes, estão ali para buscar certificados (ou diplomas). E no que diz respeito aos clientes, qualquer coisa que faça-os sair da sua “zona de conforto” será sempre motivo para manifestações e reclamações. Esse é sem dúvida um enorme desafio: tornar o processo interessante até para quem não está interessado em aprender.

 

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Captura de tela do meu Telegram, feita em 22 de Março de 2017, demonstrando claramente que os alunos, mesmo depois de muito tempo, continuam utilizando ativamente o Telegram como forma de comunicação oficial da turma. Isso pode ser um indicativo bastante tangível de que, após vencidas as barreiras iniciais, os alunos perceberam as vantagens do Telegram como ferramenta de comunicação em detrimento do concorrente, Whatsapp.

OBS: A turma P831163 é de Controladoria e Tributos. Uma turma composta de alunos com pouca “simpatia” por inovações tecnológicas, dado o mercado em que atuam, mais restrito e ortodoxo. Ainda assim, eles mantiveram o Telegram – que para eles, foi uma inovação grande em comunicação – como aplicativo padrão para comunicação da turma.

 

 

Projetos Futuros de TIC em Educação

Futuramente, pretendo ampliar minhas estratégias pedagógicas para aumentar ainda mais a participação ativa dos alunos no processo pedagógico, criando um modelo de aula completamente diferente de tudo que eles vivenciam durante seus cursos de MBA na UniCarioca. Dessa forma, poderei entender se o modelo que tenho usado é realmente eficiente e eficaz.

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O que ainda me falta é um modelo de mensuração onde eu possa ser capaz de saber QUANTO este modelo está contribuindo para a melhoria do aprendizado dos alunos. Afinal, o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado. Portanto, é fundamental que eu consiga uma maneira de estabelecer algum tipo de indicador de performance que consiga demonstrar, de forma inequívoca, se o processo atinge seu objetivo e quanto esse método pode ser mais eficiente que as aulas expositivas tradicionais.

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

E agora, professor? O que você pretende fazer: ampliar seus conhecimentos e se capacitar para criar uma nova experiência de aprendizagem para seus alunos, que são o futuro da nossa sociedade, ou esperar um pouco mais, para tentar entender melhor esse novo cenário?

Tem alguma experiência para compartilhar com a gente? Já utiliza algum tipo de recurso ou tecnologia inovadora em suas aulas? Tem algum caso interessante para nos contar, sobre como a tecnologia ajudou (ou até mesmo atrapalhou) suas aulas? Fala aí! Vamos dividir para somar! Te espero lá nos comentários, ok?

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É fácil, e vai ajudar MUITO, tanto a mim quanto às pessoas que precisam ler sobre o tema que discutimos aqui! 😍

Novamente, OBRIGADO!

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
🎯 Renatho Siqueira MBA™®🎓

Mestrando em Novas Tecnologias Digitais na Educação, Consultor de Marketing e Comunicação em Meios Digitais, Professor de Pós Graduação e MBA

CRA-RJ: 03–01398 / SinproRJ: 61.884–5

Entre em Contato:

renatho@renatho.com.br / www.renatho.com.br

(21) 99959–0800 / (21) 98231–5231

“Marketing é satisfazer as necessidades do cliente.” — Kotler

“Marketing é tão básico que não pode ser considerado uma função isolada. É o negócio inteiro, cujo resultado final depende do ponto de vista do cliente.” — Drucker

3 comentários Adicione o seu

  1. douggllas disse:

    Muito massa mesmo, vi seu post no Dicas Telegram e fico muito feliz em ver iniciativas como a sua, tanto em termos do seu uso para essa plataforma muitíssimo rica que é o Telegram quanto em relação aoo próprio método de ensino em si. Como já ouvi há um tempo, existe diferença entre ensinar, dar aula e expor conteúdo.

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    1. Muito obrigado.
      Minha iniciativa visa demonstrar que podemos utilizar a tecnologia como um complemento útil e relevante para nossos processos pedagógicos, de forma que o aluno assuma o protagonismo da sua educação.
      Grande abraço e obrigado 🙂

      Curtir

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